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Ficha Bio-bibliográfica

JOAQUIM AUGUSTO MOUZINHO DE ALBUQUERQUE
(1855-1902)

Nasceu na Batalha em 11.11.1855, e morreu em Lisboa, no dia 8.01.1902.
Assentou praça como soldado de Cavalaria em 23.11.1871 no Regimento de Cavalaria nº 4, frequentando, na Escola Politécnica, os cursos preparatórios para ingresso na Escola do Exército. Seguidamente ingressou no Colégio Militar da Luz, terminando o curso na Escola do Exército em 1878, sendo promovido a Alferes. em 27.12.1876.
No ano seguinte, matriculou-se nas Faculdades de Matemática e Filosofia da Universidade de Coimbra. No entanto, adoeceu em 1882, o que o impediu de frequentar o 4º ano do curso, obrigando-o a regressar a Lisboa e a permanecer inactivo durante 2 anos.
Em 1884 foi nomeado regente de estudos no Colégio Militar e promovido a tenente. Neste último posto foi nomeado em 1886 chefe de secção na Fiscalização do Caminho-de-Ferro de Mormugão na Índia (tornando-se capitão) e em 1888 tornou-se secretário-geral do Governo daquele Estado, cargo que manteve durante 3 anos.
De 1890 a 1892 foi governador do distrito de Lourenço Marques na província de Moçambique e, em 1895, participou no combate contra os rebeldes de Gugunhana no mesmo distrito, sob o comando do coronel Eduardo Galhardo.
Devido ao destaque que teve nesse combate, em 1895 o, na altura, comissário-régio de Moçambique António Enes convida-o para ser governador do distrito militar de Gaza, cargo que ocupou de 7.12.1895 a Março de 1896 e no qual teve uma prestação, muito elogiosa, pois conseguiu capturar, em Chaimite, no final do ano de 1895 Gungunhana e alguns dos seus familiares.
Em Março de 1896, como recompensa da sua gloriosa prestação militar, foi promovido a major e nomeado Governador-geral de Moçambique. Durante, o exercício de funções, numa campanha contra os insubmissos Namarrais é ferido (no chamado “Combate de Mojenga”). Em Novembro do mesmo ano assume cumulativamente as funções de comissário-régio de Moçambique e continua a combater arduamente os insurrectos em Naguema, Ibrahimo e Mucuto-Muno.
Em 1897 consegue finalmente pacificar a província de Moçambique e retorna a Lisboa para ser homenageado pelos seus heróicos factos. No ano seguinte retoma o seu lugar de comissário-régio. Nesse mesmo ano é publicado o decreto de 7.7.1898 que lhe reduz significativamente os poderes levando-o a pedir a demissão, que foi concedida no dia 19 de Julho.
Devido aos serviços prestados na colónia africana recebeu numerosas condecorações e distinções, entre as quais, grande-oficial e comendador da Torre e Espada; 2 medalhas de ouro de Serviços Relevantes no Ultramar; 2 medalhas de ouro de Valor Militar; 1 medalha de ouro e 2 de prata D. Amélia; comendador de S. Miguel e S. Jorge (com dieito ao tratamento de Sir, havendo apenas um outro no País); Cruz da Águia Vermelha da Prússia com Espadas (única concedida a um oficial estrangeiro), oficial da Legião de Honra, conselheiro do Estado, ajudante-de-campo honorário de el-rei.
Regressado a Lisboa tornou-se preceptor do príncipe real D. Filipe, função inerente à qualidade de oficial-mor da Casa Real.
Quando morreu atingira o posto de tenente-coronel, pertencia ao Estado-Maior da Cavalaria e era ajudante de campo efectivo de el-rei.

Principal Bibliografia:
•O Exército nas Colónias Orientais, Lx., 1893;
•A Prisão do Gungunhana, Lourenço Marques, 1896, com algumas reeds. E muitas transcrições;
•Campanha Contra os Namarrais, Lx., 1897;
•Campanha Contra o Maguiguana nos Territórios de Gaza, ibid., 1898;
•Moçambique — 1896-1898, ibid., 1899, 1934;
•Entre Mortos:, ibid., 1908, que teve numerosas transcrições em Livros, Revistas e Jornais sob o titulo Carta de M. A. ao Príncipe Real;
•Livro de Campanhas ibid., 1935;
•Cartas de M. A. ao Conde Arnoso, ibid., 1957.


Raquel Sofia Lemos

   
 
 
 
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