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Ficha Bio-bibliográfica
SEBASTIÃO LOPES CALHEIROS DE MENESES (1816-1899)
Nasceu na casa de Louredo, em Santa Maria de Geraz do Lima (Viana do Castelo) em 24.01.1816 e morreu no dia 20.11.1899. Assentou praça em 1833, como voluntário, no regimento de Cavalaria 9. Tomou parte nas lutas civis, do lado liberal, nomeadamente no cerco do Porto, no Covelo e no ataque aos miguelistas à bataria do Bonfim. Após a guerra civil, inscreveu-se na Universidade de Coimbra. Em 1837 foi promovido a alferes e participou no contra-ataque dos cartistas. Terminado o seu curso em 1838, foi tirar em Paris a especialidade de Pontes e Calçadas, na qual se aperfeiçoou em Londres. Após este período no estrangeiro, regressa a Portugal em 1844, ingressando ao serviço das Obras Públicas. Em 1845 é promovido a tenente do Estado Maior. Ao longo da vida, além de ser general de engenharia, exerceu vários cargos públicos, desde logo foi conselheiro de Estado, presidente da comissão portuguesa da demarcação da fronteira (1876), ministro das obras públicas (1868-no governo de Sá da Bandeira), ministro interino da Fazenda (de 17.12.1868 a 27.12.1868), deputado por Angola (1867) e por outros círculos, par do reino, director da Escola Politécnica de Lisboa (1864), plenipotenciário em 1866 para a resolução da contenda de Moura (que se arrastou entre 1542 e 1894), governador civil do Porto, governador geral de Cabo Verde e Angola e da Costa da Guiné (entre 1857 e 1862). Como governador colonial, promoveu importantes obras, nomeadamente, a alfândega e o cais marginal. Procedeu à delimitação das fronteiras, apesar das ameaças francesas e inglesas. Chegou mesmo a envolver-se em conflitos com o comandante das forças navais dos Estados Unidos e com o comandante dum vapor de guerra inglês, em águas portuguesas, para assegurar a soberania nacional. Em 1862 demitiu-se, requerendo sindicância aos seus actos. Acabou por ficar isento de qualquer culpa. Foi convidado pelo Dr. Alves da Veiga e por João Chagas, a chefiar a revolução republicana de 31.01.1891. No entanto, a mesma revolução revelou-se prematura, não chegando Calheiros de Meneses a chefiá-la. Foi homenageado com a Grã-cruz de Aviz, comendas de Cristo, da Torre e Espada, de Sant’Iago, da Rosa do Império (do Brasil), Grã-cruz de Carlos III e do Mérito Militar (Espanha), Legião de Honra, moço-fidalgo da Casa Real, comenda de S. Maurício e S. Lázaro (Itália), medalha das campanhas da Liberdade (n.º 2), de Valor Militar (de ouro), de Bons Serviços e Comportamento Exemplar.
Principal Bibliografia: • Apontamentos apresentados à comissão encarregada dos melhoramentos da província de Cabo Verde, 1866. • Relatório do Governador Geral da Província de Angola referido ao ano de 1861, Lisboa, 1867. • Relatório apresentado às Cortes pelo Ministro e Secretário de Estado das Obras Públicas, Comércio e Indústria, 1869
Raquel Sofia Lemos
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