Ficha Bio-bibliográfica Tomás de Aquino de Almeida Garrett (2º Visconde de Almeida Garrett) (1883-1929) Nasceu a 20.07.1883 no Porto (freguesia de Cedofeita) e faleceu a 26.09.1929. Fez carreira na Armada, onde assentou praça em 12.10.1899, tendo sucessivamente sido promovido, até chegar a capitão de Marinha de guerra a 14.02.1927. Possuía o curso da Marinha e o de Engenharia Civil das Construções Navais na Escola de Aplicação de Engenharia Marítima de França, concluído a 1.08.1913, para além de ter completado o tirocínio como engenheiro em Itália, em 1914. Com apenas 22 anos foi nomeado governador do distrito de Inhambene de Moçambique, cargo que desempenhou até 1906. Mais tarde, de 1908 a 1929 teve uma carreira académica, tornando-se professor da cadeira de Administração Colonial da Escola Colonial e professor de Tecnologia Mecânica do Instituto Superior Técnico, a partir de 1917. A sua experiência colonial associada às suas funções académicas motivou parte da sua produção bibliográfica. Entre 1909 e 1913 integrou diversas Comissões relativas a assuntos coloniais e à Marinha, nomeadamente, a Comissão de Cartografia (encarregue de preparar o Congresso de Agronomia Colonial e Tropical – 1909), a Comissão para reorganizar os serviços administrativos do Estado da Índia e da província de Moçambique (1910) e a Comissão para estudar as bases propostas pela Associação Industrial Portuguesa para a industrialização do arsenal da Marinha (1913). Foi sócio do Montepio Oficial (1918), sócio correspondente da Academia das Ciências de Lisboa (1917) e sócio da Sociedade de Geografia de Lisboa, na qual desempenhou os cargos de vice-secretário (1916-1926) e de secretário-geral (1927) e em cujo Boletim colaborou. Fez parte do Conselho Colonial (9 de Novembro de 1918), foi relator de uma tese sobre o recrutamento do funcionalismo colonial no 2º Congresso Colonial (1924) e substituiu Ernesto Jardim de Vilhena na Comissão que deveria pronunciar-se sobre o regulamento do regime bancário ultramarino (1925). Em 1926 passou a servir na Companhia de Moçambique e à altura de sua morte era director administrador do Banco Narnay. Apoiado pelo Governo (então dirigido por Ferreira do Amaral) foi eleito deputado em 1908, para a legislatura de 1908-1910, pelo círculo uninominal de Margão (Índia). Fez parte das Comissões de Colonização (1909) e de Paz e Arbitragem (1909) e teve uma participação constante nos trabalhos do hemiciclo. Apresentou diversos projectos de lei relacionados com assuntos das colónias. Teve um discurso de forte oposição ao Governo, no qual pediu a demissão deste último, no dia 28 de Julho de 1909, no qual criticou ferozmente o presidente do Conselho, Venceslau de Lima e a diplomacia externa portuguesa. Recebeu numerosos louvores e condecorações, nomeadamente a medalha de Filantropia e Caridade (1906) e as de prata e de ouro da Cruz Vermelha (1909), medalha militar de prata da classe de Comportamento exemplar (1914), medalha de 3º classe da Ordem de Avis (1918) e os graus de cavaleiro da Ordem de Sant’Iago (1907), de comendador e cavaleiro da Ordem Militar de Avis (1919) e de comendador da Ordem de Isabel, a Católica, de Espanha (1927). Com a implantação da República afastou-se da vida política activa, mas manteve os ideais monárquicos, o que lhe valeu a outorga do título nobiliárquico por parte do rei D. Manuel II, exilado em 1920. Faleceu em 1929, durante o regresso a Portugal de uma missão de inspecção a várias companhias presentes em África, de que era director-administrador. Principal Bibliografia: •Um governo em África (1905-1906), Lisboa, 1907 •Instrução Pública. A instrução e o destino de um povo. Programas de Ensino-Instrução e educação femininas. A Escola Colonial. A mulher e o problema colonial. Missões, Porto, 1908. •«Problemas coloniais», Revista Portuguesa Colonial e Marítima, nºs 137-139, pp. 192-197 e 249-254; nºs 141-142, pp.20-24, pp. 115-122, e 164-169; n.º’ 146-149, pp.61--64, 110-113, 172-176 e 227-230, Lisboa, 1909-1910 •Enseignernent agricole colonial portugais: rapport presenté au Congrès de Bruxelles, Lisbonne, 1910 •A expansão colonial e a ciência, Boletim da Sociedade de Geografia de Lisboa, 33 (3), Marco de 1915, pp. 97-103; •«Portugal e a Guerra», Boletim da Sociedade de Geografia de Lisboa, 35 (4-6), Abril - Junho de 1917, pp. 85-99; •«A engenharia nas colónias», Boletim da Sociedade de Geografia de Lisboa, 43 (10-12), Outubro - Dezembro de 1925, pp. 216-235; •Administração colonial, Porto, s.d.; •Questões coloniais, Lisboa, s.d. •Indústrias Coloniais (Conferência), 1928. Raquel Sofia Lemos